17.3.11

pena caída

deixei de procurar,
limitei-me às questões.
só o assobio frio
do corrimão
não ouso esquecer.


Lx, mesa, 17-03-2011

carne seca

nunca procurei redenção, nunca procurei voltar atrás.
a dor e o tempo ajudaram-me a esquecer o que é impensável.
tornei-me uma estranha nas minhas próprias vísceras.


Lx, mesa, 17-03-2011

16.3.11

vazio

a solidão, ao sorrir-me aquece-me, afastando a amargura das palavras humanamente cínicas. a melancolia dança e ridiculariza todos os meus sonhos passados e quebrados porém ilude-me no epicentro da minha loucura, bombeia a verdade crua e dura nas minhas veias envenenadas. o esquecimento foge de mim procurando deixar-me na miséria da palavra seca e isenta de razão. só me resta a emoção e nostalgia, mas não choro; agradeço por ficar lúcida na violência do mundo e no meio da crueldade que impus a mim mesma.
mesmo que seja segredo.



Lx, esplanada-não-sei-bem na Guerra Junqueiro, 16-02-2011

sorriso da mais profunda tristeza

"Ó Tempo
Sê gentil
Ajuda este ser cansado
a esquecer o que é triste lembrar
Solta a minha solidão
Sossega o meu espírito
Enquanto devoras a minha carne."


poema de "alguém sensível" a Marilyn Monroe
-ipsilon, 11 março de 2011, pág. 10

o choro é o medo da realidade

a tristeza não é algo de que devamos fugir. é toda a sua lucidez que nos impede de viver os sonhos. os sonhos são falsos. nunca o Homem está bem, ou feliz; a angústia pertence-lhe, divide a alma com o desejo e não deixa que o Homem se perca.
- Angústia, como te podia viver para sempre. Em ti quero ver o mundo velho e degradado. Não quero o muro limpo e a pessoa suja, quero a liberdade de ser sempre triste.



Lx, sala 403 não ouvindo as pessoas, 16-02-2011

bons-dias

no fundo da chávena

segue os buracos na calçada