11.10.11

Tambor Cardíaco

Grão de terra,
palpita-me tão inocente
na minha estranha mão.
Duvido,
do que pré-estabeleci,
partindo de lógicas matemáticas
cujo cálculo
é tão falível
quanto o sonho do cego.

Lx, 10-11-2011

holograma

Se ser é tão errado
porque questionamos?
Sendo o respirar
o pecado mortal.
Não vendo a hora
de perder a razão
por simplesmente sentir
o que é tão proibido.

Lx, 10-11-2011
Já me lembrei
de dizer talvez três vezes.
Outras cinco
calei-me.

Lx, 10-11-2011

5.10.11

olho roto

cria-se esperança-lixo numa imagem de glória personificada, quando não se compreende o movimento dum maxilar partido. a emoção enrola-se a partir do gesto imperceptível que se capta do caos assustado, por isso, quebro a voz para ti:
-espera por mim que a cegueira ainda não se acalmou.

Lx, 05-10-2011

a pares.

sinto um mundo aquoso.
o olhar humano
é tão subitamente
tão fácil.

sinto a fragilidade
do pensar íntimo,
quando o corpo
não esconde a reacção.

sinto a disfunção da palavra
para reflexão do fluído.
tenho compaixão
pelos que sonham sós.

sinto não-solidão
em algo que não existe,
de tão efervescente
se construir.

Lx, fim de Setembro de 2011

bons-dias

no fundo da chávena

segue os buracos na calçada