15.10.11

pecado vivo

somos carne.
perdemos pele.
somamos ilusões.
acreditamos na mentira.
apedrejamos a palavra.
suicidamos a essência.
cuidamos,
com ternura,
das unhas-sujas de memórias.


Lx, 12-10-2011

o dom do nada

se imaginei criaturas
que sentem,
perdi o interesse.
o incompreensível,
fascinou-me nu.
a dúvida não nasce
nem é gesto morto.
a emoção arrebata
para nunca ser visível.
narrações de toda
uma alma
suja
polida
abraçam-me
e vivo na esperança
que sejam mais
do que matéria verbal.


Lx, 12-10-2011

teatro-sombra

sou louca
na minha mente sensível.
vivo imagens
que café seco
se assemelham
a quem vive
no mundo cru
que imaginei
ser real.


Lx, 12-10-2011

espelho-mão

a sensibilidade que sou
tornou-me intocável.
não sinto;
vejo pelo que existe.


Lx, 12-10-2011

11.10.11

reciclar histórias

Depois do tempo
veio tudo.
O que tu quiseste
e o que não identifiquei.
Fosse gravilha limpa
ou cachimbo novo,
desisti de aceitar
tudo o que propuseste,
só para eu admirar
o que a pele conta.



Lx, 10-11-2011

bons-dias

no fundo da chávena

segue os buracos na calçada