24.1.12

quarto escuro

 (    Man Ray, Les mains d’Antonin Artaud, 1922   )

nos rostos incógnitos das minhas paredes descubro suspiros de extâse que me inspiram.

nos olhos vivos de quem nunca aqui esteve, encontro histórias nossas que me arrepiam os dedos, sentindo que partilhámos um micro-cosmos de pensamento.

ó magnífica ilusão, em ti peço o prazer de retomar a memória que pensa sem reinar.


Lx, 11-01-2012

15.1.12

sonho espesso


flutuar
flutuar como uma criança acordada.

pensar
pensar como um buddha esquecido.

apaixonar
amar como um grão queimado.

Lx, 02-01-2012

25.12.11

poema de natal?

a morte do artista é homicídio indiscriminado. facada na coluna como quem vê objecção à luz.
artista mata artista com os dedos na ponta da alma tripartida.



Lx, 25-12-2011

20.12.11

impuro medo

respirar a verdade como se já não existissem sonhos. na tua pele disléxica leio o que se esconde com os olhos, o que as palavras distorcem. o discurso recto não faz sentido a uma alma solta. procuro em cada análise respeitar o que o corpo converge. nada sei até sentir o que não é permitido. até o destino me soa flácido.


Lx, 20-11-2011
pela madrugadas carregadas de intoxicantes numa varanda solitária só minha companheira

4.12.11

amor cão

Pouco ou nada
tudo em vão.
Sabão ácido
dislexia exploração
Disfunção pupilar
unha dilatação.
Criação imunda
partícula implosão.
Caco sujo
partiu sem morrer
numa chávena cosida.


Lx, 02-11-2011

bons-dias

no fundo da chávena

segue os buracos na calçada